Depois de participar do programa de rádio do Nequinha e de tomar o farto café da manhã oferecido por ele, peguei a estrada, determinado a visitar a Serra da Barriga, no periferia da cidade de União dos Palmares, em Alagoas. A Serra da Barriga está situada no município de União dos Palmares, distante 93 kms de Maceió. É um sítio histórico onde se localizava o Quilombo dos Palmares, liderado por Zumbi dos Palmares. Na década de 80, foi reconhecida pelo governo federal como monumento histórico e em 21 de março de 1988 passa a ser considerada como monumento nacional pelo Decreto nº 95.855. Hoje, a Serra da Barriga é uma área que recebe turistas, que buscam conhecer um pouco mais da história do Quilombo dos Palmares. No local, foram construídos um posto de observação e dois mirantes, que estão sendo reformados, de onde se pode admirar toda a beleza do local. Na serra, também são realizadas comemorações, principalmente no Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, para relembrar a luta de Zumbi dos Palmares.
A caminho da Serra da Barriga, cruzei toda a cidade de União dos Palmares. Passei sobre o Rio Mundáu, que dois meses depois destruiria aquela e outras cidades, numa das maiores enchentes que as regiões atingidas dos estados de Pernambuco e Alagoas já conheceram. Infelizmente, a estrada que liga a cidade à serra estava muito mal cuidada, quase impedindo minha passsagem.
Era sábado. O movimento nas estradas só aumentava próximo das mairoes cidades, como o que eu peguei chegando a Maceió, lugar que eu decidi que teria que conhecer. Sobretudo a orla da cidade, que é uma das mais bonitas que eu conheço no Brasil.
Fui direto para a praia do Francês que é uma das mais badaladas da capital alagoana. A vista é realmente deslumbrante. O mar estava revolto naquele dia, o que fazia as ondas açoitarem a praia com inten sidade, pois estava acontecendo uma ressaca, não apenas em Maceió, mas, em muitas outras cidades da costa brasileira. Aquela manifestação da Natureza só fez melhorar o cenário para as fotos que fiz. Dei sorte de pegar bom tempo na cidade, depois de pilotar muito tempo por estradas molhadas, pois chovera durante boa parte da jornada até ali.
Passando de duas horas da tarde eu deixei Maceió para ver até onde poderia chegar. De lá em diante ganhei todo o tempo que pude. Um pouco antes das cinco da tarde eu cruzei a divisa dos estados de Alagoas e Sergipe, que é feita por um acidente geográfico dos mais conhecidos, e dos mais importantes para uma considerável parte da região Nordeste, que é o Rio São Francisco, o Velho Chico.
Do outro lado da ponte que cruza o Rio São Francisco fica a cidade de Propriá, onde eu decidi que deveria pernoitar para não pegar mais chuva, uma vez que desde que saira de Santa Cruz do Capibaribe, já devidamente equipado com minha de capa de chuva, viajei boa parte do tempo debaixo do d’água, e que água. Para minha sorte, a chuva deu uma trégua, o que me possibilitou documentar minha passagem por ali através de fotos, da cidade e da ponte.
Demorei um pouco a encontrar um lugar para pernoitar. Mas, quando encontrei, achei um bem legal, por um preço bom. Naquele sábado eu só tinha tomado café em Santa Cruz do Capibaribe e feito um lanche. Estava com uma fome de leão. Precisa ter um jantar de verdade. Todavia, nesse particular não consgui sucesso, pois o restaurante mais próximo que eu encontrei só tinha funcionado até o almoço. Fechou para o jantar e só abriria na segunda-feira. O jeito foi encarar um lanche reforçado, para não dormir com fome.
Na manhã seguinte, não me apressei mais do que o necessário para sair. Decidi esperar o café da manhã da pousada onde estava, para partir com o estômago reforçado. O dia tinha amanhecido com cara de poucos amigos, ameaçando chover a qualquer momento. Pelo noticiário da TV, sábado à noite, eu fiquei sabendo que à minha frente, em Aracaju e proximidades, estava tudo debaixo d’água, por causa das fortes chuvas que tinham caído durante todo o sábado. Essa informação de imediato me fez decidir abortar a passagem pela capital sergipana, pois além de ser um dia de domingo, com muitas ruas submersas, o bom senso recomendava evitar.
De capacete novo, pois o que tinha usado da Expedição Itaituba-Amazônia deu problema nas presilhas que seguravam a viseira e a sobreviseira, não tendo encontrado peças de reposição. Prossegui descendo rumo ao Sul do País, certo de que continuaria a tomar muita chuva, pois era só isso que a previsão da meteorológia anunciava.
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