quarta-feira, julho 06, 2011

Próxima parada: Alaska *

            Semana passada, dei a largada para a Expedição Itaituba-Alaska, a mais longa realizada até agora por mim. Eu, o professor Jadir Fank e o empresário Wagner Arouca enfrentaremos cerca de 42.000 km entre a ida e a volta, que é mais do que uma volta completa ao redor do planeta Terra, que é de 39.840 Km. Serão necessários, no mínimo, três meses na estrada, otimizando o tempo. É possível até que se gaste um pouco mais.
            A novidade nessa próxima jornada será a entrada de Wagner, que mostrou uma disposição muito grande para fazer parte do time, formando um número ideal, pois dois viajantes é o número mínimo que o bom senso recomenda, como aconteceu na Expedição Itaituba-Amazônia, que foi a volta pela América do Sul, quando eu e o Jadir encaramos o desafio. Porque éramos dois, quando furou o pneu traseiro da moto do Jadir, num local ermo da Colômbia, eu estava junto para socorrê-lo. Três é o número ideal. Apenas uma pessoa, como aconteceu comigo em O Viajante Solitário da Expedição Brasil, é maluquice. Qualquer coisa de errado a gente não tem para quem apelar.
            Há poucos dias um conhecido que não sabia qual será o trajeto da próxima expedição, disse que gostaria de ir. Ele perguntou se R$ 5.000,00 dariam para fazer toda a viagem. Eu lhe expliquei que no meu caso, que deverá ser o mesmo dos meus colegas de jornada, gastarei em torno de R$ 6.000,00 somente de gasolina. Isso é parecido com o que gastei em toda a jornada pela América do Sul. Pelos levantamentos feitos até agora, calculo que precisarei de pelo menos R$ 20.000,00 para não correr o risco de voltar empurrando a moto.
            Quando eu escolhi Itaituba para viver pelo resto de minha vida, uma das coisas que mais de encantaram foi a solidariedade do nosso povo. Isso inclui a classe empresarial e de profissionais liberais, cuja maioria está sempre disposta a colaborar com projetos concretos que lhes sejam apresentados, como é o caso do nosso projeto. Cada um dos três trata de viabilizar financeiramente sua parte. Como eu sou o que tem menor poder aquisitivo dos três, não posso deixar para cima da hora. Tenho que agir com bastante antecedência. Por essa razão, a quase um ano da partida eu já estou em campo em busca de parcerias. Até agora tenho sido muito bem recebido por todos os que contatei.
            Não quero chegar com ninguém apenas pedindo ajuda. O que proponho é uma troca. Eu ofereço o espaço publicitário do Jornal do Comércio, em troca do apoio financeiro dos amigos. Parece uma troca justa. E os empresários que tenho procurado tem sido generosos comigo. Sem eles não há expedição. Também tenho contado, sempre, com a ajuda de alguns profissionais liberais, amigos que nem precisam de publicidade e às vezes, nem querem que eu a faça, mas, que não se negam a ajudar-me. É com essa gente e mais meus filhos e minha mulher que eu conto. A Câmara Municipal sempre me ajudou. Por outro lado, jamais recebi nenhum tostão de incentivo da Prefeitura Municipal. Espero que desta vez, com o prefeito Valmir Climaco seja diferente.
            A moto que usei nas duas viagens anteriores já não está mais comigo. Vendi em perfeitas condições, mesmo com todo o esforço desprendido por ela. Vendi com certa tristeza, pois se trata de um equipamento que me ajudou a escrever uma importante parte da história de minha vida. Mesmo sabendo que não passa de um veículo, não há como não deixar certa dose de saudades. Não dá mais para continuar viajando de moto 125 CC. Especialmente a que eu tinha, que é muito resistente, mas, que perde muita velocidade nas subidas, fazendo despencar a velocidade média que a gente precisa alcançar. O resultado disso era que eu puxava tudo que a mota pudesse dar nas descidas, aumentando os riscos. Eu irei numa moto 250 CC, o que parece que também vai acontecer com meus dois companheiros de viagem.
            Dá muito trabalho fazer uma jornada como essa que estamos planejando. Não basta apenas buscar o patrocínio, subir na moto e pegar a estrada. É muito mais do que isso. Há muitas providências a serem tomadas antes, como documentação em dia. Não se pode sair sem portar uma Carteira Internacional chamada de PID (Permissão Internacional para Dirigir). Não é difícil, basta pagar uma taxa ao Detran, desde que já se tenha a Carteira Nacional de Habilitação atualizada. Minha PID venceu, porque a CNH anterior foi trocada recentemente por ter vencido. Isso me obriga a trocar esse documento internacional, que vence junto com a CNH.
            Essa expedição terá alguns ingredientes diferentes das outras. O primeiro deles é a necessidade de se fazer o traslado da Colômbia para o Panamá, de avião, ou de barco. A segunda opção é bem mais em conta. Contudo, é preciso esperar uma semana, ou mais, para conseguir algum comandante, normalmente de barcos pequenos, que tope fazer a travessia de aproximadamente 300 km entre a costa da Colômbia e a costa do Panamá, pelo Mar do Caribe, que não costuma ser dos mais calmos. Para quem está acostumado a viajar pela águas tranqüilas do Tapajós, essa não parecer ser uma grande pedida. Então, o mais certo é fazer a viagem via aérea.
            A partida de Itaituba dar-se-á no dia 5 de junho, data em que a temperatura já está mudando para mais quente no Alaska. Por estes dias tem feito entre 8 e 16 graus, durante o dia. Sabemos que não encontraremos moleza. Por isso, espero contar com a colaboração de bem mais parceiros do que nas viagens anteriores, pois precisarei de muito mais recursos. Sou otimista e confio que tudo sairá como planejado. Na volta darei início à formatação do livro que vai contar a história dessa e das outras jornadas. Todos os que me ajudaram até agora, que continuarem me ajudando e os que também colaborarem com os meus companheiros de viagem, agora e antes, serão perpetuados nas páginas do livro. Conto com vocês!

Jota Parente

* Artigo publicado na edição 128 do Jornal do Comércio, que começou a circular no início da noite de hoje

2 comentários:

  1. Olá Jota Parente,

    Até o dia 2 de setembro devo estar em Seattle, Washington, EUA (bem ao oeste do país), na região mais próxima do Alaska... Caso passe pela cidade antes dessa data, não deixe de entrar em contato. Será um prazer andar com vocês por aqui e apresentar a cidade(caso não conheçam ainda) e a sede da Microsoft (se tiverem tempo disponível).

    A propósito, a sua expedição começou dia 5 de junho, ou 5 de julho? Enfim, se passarem por aqui, estarei no aguardo.

    Abraços,
    Weverton

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  2. Anônimo7:03 PM

    Jota,poderíamos pedir às pessoas que já viajaram ou conhecem particularidades e lugares da rota a ser percorrida,que nos indiquem ou dê sugestões,assim nossa viagem poderá ser compartilhada mesmo com os que estarão torcendo por nós."Ripa na chulipa"!
    Wagner Arouca

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